terça-feira, 2 de novembro de 2010

Um exemplo para os gaúchos

Um exemplo para os gaúchos. Aqui o tema é tabú.

Deusolivre tocar no assunto. Há perigo de ser apedrejado!

Os ecologistas poderiam ficar faceiros, afinal, poderia-se trocar (se a técnica recomendasse) o uso de herbicidas e inseticidas pelo fogo. Obviamente fazendo-se um balanço de ganhos e perdas e dentro de uma racionalidade técnica, sem exageros, com parcimônia e segurança.
O que nos falta é pequisa atualizada e humildade de reconhecermos que esta conversa de que temos as leis mais avançadas do mundo não passa de uma grande invenção. Uma ilusão ufanista de quem só conhece a "realidade" do alto de poltronas estofadas-ar-condicionadas. Essa crença (da lei último tipo) é apenas a confirmação da velha máxima de que "o papel aceita tudo".


Bom Manejo de Fogo

O projeto Inserção da Metodologia de Bom Manejo de Fogo em Áreas de Produção Familiar na Amazônia – PDA/CONSOLIDAÇÃO - 056c vem sendo executado pelo IPAM desde 1999. Em sua primeira fase teve foco em desenvolver metodologia de manejo de fogo para produtores familiares rurais da Amazônia, sendo desenvolvido na região de Paragominas e na Floresta Nacional do Tapajós em Santarém e Belterra, estado do Pará.

Esta segunda fase apoiada pelo PDA tem o objetivo de Disseminar a metodologia de Bom Manejo de Fogo para a região amazônica, com ênfase em regiões onde existam iniciativas promissoras de sistemas agroecológicos e áreas com alta incidência de queimadas acidentais provenientes do uso agrícola, possibilitando a implantação e manutenção de sistemas integrados mais diversificados e a melhoria dos recursos hídricos e da biodiversidade pelo uso controlado do fogo.

O que é?

Existem mais de 600 mil famílias de produtores rurais na Amazônia. Todas essas famílias usam fogo anualmente para fazer suas roças e limpar pastos. Na visão dos produtores o fogo traz muitos benefícios como ser uma ferramenta rápida e barata na limpeza dos terrenos, ajuda no controle de pragas e doenças, entre outras vantagens. O problema é que muitas vezes as queimadas escapam do controle e causam grandes incêndios.

O fogo descontrolado na Amazônia é responsável pela metade da área queimada anualmente. Isso significa que, se num ano cada uma das 600 mil famílias fizerem uma roça de 2 hectares, uma área de 1,2 milhões de hectares será queimada intencionalmente, e outra área do mesmo tamanho vai queimar por acidente.

Ao realizar as queimadas em suas unidades produtivas, cada família tem uma receita diferente sobre o que fazer para queimar sem que a queimada escape de controle. Pesquisas realizadas pelo IPAM identificaram e testaram uma média de 18 técnicas que devem ser usadas pelos produtores para evitar, com eficiência, as queimadas acidentais. Porém, diagnósticos realizados em mais de 20 comunidades da Amazônia mostram que cada família usa uma média de 4 técnicas para controlar as queimadas.

O IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) atua desde 1994 em áreas de pequena produção desenvolvendo técnicas de manejo de fogo que sejam eficientes no controle e adaptada a realidade destes produtores. Deste trabalho, que envolveu 30 comunidades da Amazônia brasileira, os principais resultados foram a redução de 75% de acidentes e aumento no conhecimento e utilização de técnicas de bom manejo de fogo pelos produtores, fazendo ressurgir as redes locais de difusão técnica de manejo de fogo.

O que foi feito?

O projeto viabilizou processos de formação com o objetivo de capacitar assessores (as) que trabalham diretamente com produtores familiares sobre como implementar metodologias e instrumentos de bom manejo de fogo em comunidades rurais da Amazônia.

A metodologia adotada para responder a necessidade de redução de acidentes com uso de fogo agrícola consistiu de formar técnicos e lideranças do movimento em módulos de formação presencial, alternado com seções praticas nas regiões de origem dos formandos. Também são realizadas monitoramento e avaliação do aprendizado através de um grupo virtual e de aplicação de instrumentos de monitoramento com os parceiros e beneficiários. A segunda vertente de atividades desenvolvidas visa testar a metodologia de Bom Manejo de Fogo para projetos de venda de serviços ambientais. Para isso foi escolhida a região do pólo Proambiente da Transamazônica.

INDICADORES

- 45 técnicos capacitados e que podem ser considerados agentes multiplicadores;

- Atuação direta em 42 comunidades rurais da Amazônia. Sendo 38 comunidades na Amazônia brasileira, 02 comunidades no Peru e 02 na Bolívia;

- 400 famílias de produtores atingidas diretamente;

- 1.500 famílias de produtores atingidas indiretamente;

- A metodologia de BMF foi base de construção da política de controle e combate ao fogo do departamento de Pando no Bolívia;

- O BMF também oportunizou o desenvolvimento de projetos governamentais de controle do uso de fogo na Região de Madre de Dios no Peru;

- A Metodologia foi base para defesa de tese de mestrado e de TCC;

- Publicação de artigos;

- Rede Virtual implementada;

- Elaboração e confecção de material de apoio.

Equipe:

Edivan Carvalho, edivan@ipam.org.br

Rosana Gisele Cruz Pinto da Costa, rosana@ipam.org.br


http://www.ipam.org.br/programas/projeto/Bom-Manejo-de-Fogo/38

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