domingo, 24 de outubro de 2010

A velha balela de sempre em castelhano

A velha balela de sempre em castelhano

Um temporal severo, que pode ter sido um tornado, atingiu na noite de quinta-feira a pequena cidade de Pozo Del Tigre, em Formosa, na Argentina, provocando ao menos quatro mortes (foto de satélite acima do INTA do momento do possível tornado). Um ano antes, também no Norte da Argentina, o tornado de San Pedro causou 11 mortes em Missiones e cruzou a fronteira com o Brasil, levando devastação e mortes ao município catarinense de Guaraciaba. Foi um tornado classificado como um poderoso F4 pelo Serviço Meteorológico Nacional da Argentina (SMN). Neste sábado, em reportagem sobre o desastre de Pozo del Tigre, o jornal Clarín, o mais lido da Argentina, vincula o possível tornado de Formosa ao aquecimento global e às mudanças climáticas com depoimentos de especialistas locais:

"El tornado que afectó a Formosa podría ser una manifestación del cambio climático en el planeta. Se trata de un evento extremo, cuya frecuencia –si se la considera dentro del grupo de tormentas severas– aumentó. Hace 30 años ocurría un evento similar cada 5 años. En la actualidad, se puede esperar que ocurra uno por año, asegura Inés Camilloni, del Departamento de Ciencias de la Atmósfera y los Océanos, de la Facultad de Ciencias Exactas y Naturales de la UBA.

El Panel Intergubernamental de Cambio Climático, formado por científicos de todo el mundo y Premio Nobel de la Paz en 2007, señaló en un reporte que el incremento de eventos extremos, como los tornados, sería una de las consecuencias del cambio climático, que es atribuible directa o indirectamente a la actividad humana, que altera la composición de la atmósfera. Esto se suma a la variabilidad natural del clima. "Existe la posibilidad de que este tornado de Formosa también forme parte del cambio climático", agregó Pablo Canziani, investigador del Programa de Estudios Atmosféricos de la Universidad Católica Argentina y del Conicet. "Se necesitarán más observaciones para corroborar la asociación".

En tanto, Fabio Capello, director de la Oficina de Prevención de Desastres Naturales con sede en Posadas, dijo: "Lo de Formosa es idéntico a lo que ocurrió en Misiones hace un año: tiene las mismas características e intensidad". El 7 de septiembre de 2009, el tornado en la localidad misionera de San Pedro dejó un saldo de 11 muertos y 40 heridos. Cabello, que fue pronosticador del Servicio Meteorológico Nacional, no dudó en vincular el tornado "con el cambio climático. Evidentemente el proceso de deforestación y el aumento de las emisiones de gases de invernadero es parte de ese proceso de cambio".

En la Argentina, el área de ocurrencia de tornados se extiende desde Río Negro hacia el Norte, según dijo a Clarín la investigadora María Luisa Altinger de Schwarzkopf. Su velocidad es variable: puede llegar hasta los 100 kilómetros por hora. El tornado de mayor intensidad registrado en la Argentina fue uno que ocurrió en San Justo, provincia de Santa Fe, en el año 1973".

Comento. Primeiro, como se vê, não é só aqui no Brasil que existe a turma apaixonada por vincular qualquer evento extremo às mudanças climáticas, mesmo que não haja suporte científico para tanto. Segundo, se aquecimento global causou tornado em Formosa, qual foi a causa do tornado de Encarnación que matou 400 na década de 20 ou o de San Justo de 1973, quando a Terra passava por forte resfriamento. Terceiro, o possível tornado de Formosa tem características bem distintas do possivelmente registrado em Formosa. Quarto, o próprio alarmista relatório do IPCC (AR4) de 2007 nega ter encontrado evidências de que as tais mudanças climáticas estejam afetando tendências sobre tornados (reprodução abaixo de trecho da página 11 do IPCC AR4), ao contrário do que sugere o Clarín no começo de sua matéria.

Há poucos dias, a página do Discovery Channel publicou interessante reportagem (leia) sobre aumento ou não na freqüência de tornados. "As evidências indicam que não", disse Joshua Wurman, presidente do Center for Severe Weather Research. "Se você olhar a frequencia de relatos de tornados nos Estados Unidos, eles crescem a cada década, mas existem dados claros que isso se deve a uma maior eficiência no sistema de informação", esclareceu. É o que os cientistas chamam de "reporting effect", significando que relatos do fenômeno aumentam, mas as ocorrências de fato não. Harold Brooks do National Severe Storms Laboratory (NSSL) do NOAA fala em incerteza estatística. "Podem estar ocorrendo mudanças meteorológicas, mas alterações no sistema de relatos tornam impossível descobri-las", comentou. Então, como alguém aqui no Brasil ou na Argentina pode vincular um tornado em particular a mudanças do clima ? Sempre, contudo, tem um gravador ou bloco de jornalistas para registrar a mesma balela de sempre. Seja em Português ou em Espanhol.

Autor: Eugenio Hackbart
Publicado em 23/10/2010 16:00


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